Pilates e Hérnia de disco lombar

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O método Pilates foi desenvolvido por Joseph H. Pilates, que nasceu em 1880 na Alemanha e por apresentar uma saúde frágil na infância e adolescência devido a asma, raquitismo e febre reumática, tentou superar seus problemas de saúde por meio de exercícios físicos. É um programa completo de condicionamento físico e mental e uma técnica dinâmica que visa trabalhar força, alongamento, flexibilidade e equilíbrio, preocupando-se em manter as curvaturas fisiológicas do corpo¹, ². Nos anos 80 houve o reconhecimento internacional da técnica de Pilates e na década de 90 ganhou popularidade no campo da reabilitação 3,4,5,6.

Esse método contém vários exercícios de alongamento e fortalecimento, os quais podem ser divididos em duas grandes categorias: mat Pilates (exercícios realizados no solo) e Studio Pilates (exercícios realizados em aparelhos). Pode ser incorporado em um plano de tratamento do paciente para melhorar a força, amplitude de movimento, coordenação, equilíbrio e propriocepção7,8.

Por todo seu conjunto, o Pilates é hoje utilizado por fisioterapeutas como auxílio ao tratamento fisioterapêutico, nas mais diversas patologias ortopédicas, reumatológicas e respiratórias9 .

Entre diversas patologias podemos citar a hérnia de disco lombar, que é caracterizada pelo deslocamento do núcleo pulposo para os espaços intervertebrais. É a mais frequente entre as hérnias de disco, acomete principalmente adultos jovens entre os 30 e 50 anos de idade, sendo aos 37 anos a idade média para o primeiro ataque. Pode ocorrer com menos frequência em adolescentes e idosos e raramente em crianças10 .

De acordo com Gabriel e colaboradores, um processo degenerativo lento, esforço brusco ou traumatismo em jovens podem ser fatores que desenvolvem a hérnia de disco11. Seguidos de outros como a idade, a carga de trabalho física e psicossocial, a dor isquiática, a obesidade, o tabagismo, o nível baixo de educação formal e classe social, a comorbidade, osteoartrite e a genética que também são fatores que influenciam a hérnia de disco12 . A apresentação clínica clássica é a de dor irradiada para a perna, face posterior, no trajeto do nervo ciático nas hérnias L4-L5-S1; face anterior da coxa nas hérnias L2-L3-L4 (as hérnias de L1 são extremamente raras).

A dor piora quando o paciente está sentado ou em pé e melhora quando deitado13 . Segundo Van Tulder os exercícios de flexão estão sumariamente contra-indicados nas hérnias discais agudas e nas protrusões discais difusas acentuadas, com dor grave e canal estreito. Já os de extensão estão indicados nas protrusões difusas e focais do disco, fora do período agudo doloroso, com cuidados especiais em caso de artrose zigapofisária14 .

Sendo assim, este estudo pretende realizar uma revisão de literatura sobre os efeitos do Método Pilates no tratamento da hérnia de disco lombar. Material e Métodos Trata-se de um estudo narrativo, descritivo e exploratório, sendo uma revisão narrativa de literatura baseada em fontes como livros de acervo particular, pesquisas de artigos eletrônicos, expostos em bancos de dados como o Scielo, Biblioteca Virtual em Saúde, periódicos e revistas.

Foi feito uma busca na base de dados Scielo, Lilacs, Biblioteca virtual em saúde, sites específicos de publicação científica com as palavras chaves: Método Pilates, Hérnia de Disco Lombar, Tratamento Fisioterapêutico entre os anos 1999 a 2013. Os critérios de inclusão foram todos os artigos que se enquadravam na data proposta e que se correlacionavam com o método Pilates no tratamento da hérnia de disco lombar. E foram excluídos todos os artigos que não se enquadravam na data proposta e que não contribuíam com o estudo.

Discussão e resultados O paciente com hérnia de disco lombar pode ser reabilitado com o Pilates, pois segundo Comumello, a literatura aponta como benefícios do método a melhora do condicionamento físico, da circulação, da postura, diminuição da dor, da força muscular, da flexibilidade, da consciência corporal e da coordenação motora. Esses benefícios ajudariam a prevenir lesões e proporcionar alívio das dores crônicas15.

De acordo com Silva e colaboradores, as possíveis indicações do método Pilates para a lombalgia têm sido motivo de estudo devido o número de incidência e o grande ônus que impõem aos serviços de saúde. Sobre o tratamento da dor lombar, concluiu-se que os exercícios são o tratamento mais eficaz para esta disfunção tanto a longo como em curto prazo, principalmente os exercícios que seguem os princípios do método como a contração dos músculos abdominais e dos multífidos associados à respiração, pois as utilizações desses princípios proporcionaram ao paciente estabilização da coluna lombar e conseqüentemente a diminuição da dor 16 .

Nos estudos do autor mencionado acima foi demonstrado que o método Pilates é mais eficiente em relação aos exercícios convencionais, pois em uma pesquisa foram monitorados o escore da dor e das disfunções por meio de questionário e observou-se que os pacientes que realizavam os exercícios de Pilates, após o tratamento, apresentaram um escore de dor de 18.3 no grupo de Pilates e de 33.9 no grupo convencional, demonstrando a eficácia da técnica16 .

Nesse sentido os princípios e benefícios de exercícios apropriados são bem conhecidos e a motivação do paciente para executar atividade física é geralmente maior durante duas a três semanas após o período de inabilidade. Se, no entanto houver recorrência da enfermidade, os exercícios devem ser descontinuados e reiniciados somente após a remissão dos sintomas. Esse programa deve incluir exercícios de flexibilidade e alongamento, com aumento gradual em sua execução17. Um estudo experimental avaliou a eficácia do método Pilates para o alívio de dor lombar em pacientes com protusão discal. Participaram 50 sujeitos divididos em dois grupos: um realizou os exercícios do método Pilates e Yoga medicinal fazendo uso de medicamentos analgésicos e o outro somente realizou tratamento medicamentoso.

Observou-se que um programa de exercícios bem elaborado, para pacientes com problemas em discos intervertebrais pode diminuir a protusão no disco, enquanto restaura a flexibilidade, força, endurance, estabilidade e postura, com resultados superiores ao tratamento medicamentoso e com menor recorrência da dor lombar18 . Em um estudo realizado por Lopes e colaboradores, foram avaliadas seis mulheres acometidas de hérnia de disco comprovada por meio de exames. Foram realizados exercícios para a correção e tratamento da hérnia de disco através do Método Pilates utilizando o Cadilac, Ladder Barrel, Chair, Reformer e Bolas Suíças.

Verificou-se através dessa pesquisa que o Método Pilates foi eficaz para melhorar a flexibilidade, pois os resultado mostraram aumento de (23,4 ± 4,8 para 29,3 ± 4,1 cm), melhorar a postura no que se refere à posição da cabeça, altura dos ombros, escápulas e quadris e, principalmente, diminuir a percepção de dor em mulheres acometidas por hérnia de disco, em seis semanas (de 7,3 ± 2,2 para 0,7 ± 1,2) (escala EVA). Tais evidências são importantes porque podem proporcionar melhor qualidade de vida a esse tipo de paciente em um tempo relativamente curto19 .

Segundo Rochenda e colaboradores, seu estudo concluiu que um programa de exercício específico dirigido a novos estímulos do controle neuromuscular, fornecida por um fisioterapeuta, e com base no método Pilates foi mais eficaz na redução da intensidade da dor e da incapacidade funcional em níveis quando comparado ao tratamento habitual, por meio de medicamentos20 .

De acordo com Camarão o método fortalece, alonga e equilibra toda a musculatura, proporcionando um realinhamento da coluna, alívio das tensões musculares, previne pinçamentos ou compressões dos discos intervertebrais e melhora a hidratação dessas estruturas21 . Conclusão O Pilates é um importante aliado no tratamento dos sintomas da hérnia de disco lombar.

O método se mostrou bastante eficaz no auxílio a reabilitação, principalmente a curto prazo, proporcionando melhora dos sintomas e evitando a reincidência da doença.

Não foram encontrados estudos que comprovem os benefícios do Pilates a longo prazo na reabilitação de pacientes com o diagnóstico de hérnia de disco lombar, padronização dos exercícios, frequência e intensidade dos mesmo, ficando a sugestão para que essas pesquisas sejam realizadas.

 

Referências 1. Muirhead, M. Total Pilates. Madrid: Pearson Educación. 2004. 2. Miranda LB, Morais PDC. Efeito do método Pilates sobre a composição corporal e flexibilidade. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. São Paulo, v.3, n.13, p.16-21. Jan/Fev. 2009. 3. Anderson BD, Spector A. Introductions to Pilates-based rehabilitation. Orth Phys Ther Clin. North Am. 2000;9(3):395-410. 4. Craig C. Pilates com a bola. 2 ed. São Paulo: Phorte; 2004. 5. Gallagher SP, Kryzanowska R. O método de Pilates de condicionamento físico. São Paulo: The Pilates Studio® do Brasil; 2000. 6. Muscolino JE, Cipriani S. Pilates and the “powerhouse” Part 1. J Body Mov Ther. 2004;8:15-24. 7. Gladwell V, Head S, Haggar M, Beneke R. Does a program of Pilates improve chronic non-specific low back pain? J Sport Rehabil. 2006; 15(4): 338- 50. 8. Bryan M, Hawson S. The benefits of Pilates exercise in orthopaedic rehabilitation. Tech Orthop. 2003; 18(1): 126-29. 9. Rodrigues BGS. Método Pilates: uma nova proposta em reabilitação física. Setembro. 2006. 10. Negrelli, FW. Hérnia discal: Procedimentos de tratamento. Acta Ortopédica Brasileira 2009. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/aob/v9n4/v9n4a05.pdf> 11. Gabriel MRS, Petit JD, Carril MLS. Fisioterapia em Traumatologia Ortopedia e Reumatologia. Rio de Janeiro: Revinter, 2001. 12. Dutton, M. Fisioterapia Ortopédica: exame, avaliação e intervenção. Porto Alegre: Artmed, 2010. 13. Dias CL, Aires JM, Weidebach W. A clínica e o tratamento Fisioterápico da hérnia discal lombar. Rev Coluna Fisioterápica vol 1 nº 1 2001. 14. Van Tulder, M.W., et al., Exercise Therapy for Low Back Pain. Cochrane Reviews, 2000. 15. Comunello JF. Beneficios do método Pilates e sua aplicação na reabilitação. Instituto Salus, 2011. Disponível em: Acesso em: 14 fev 2013. 16. Silva ACLG, Mannrich G. Pilates na reabilitação: uma revisão sistematica. Fisioter. Mov., 2009. Disponível em: < www2.pucpr.br/reol/index.php/RFM?dd1=2821&dd99=pdf> Acesso em: 26 de jan de 2013. 17. Ulreich A, Kullich W. No title. Wien Med Wochenschr 149: 564- 566, 1999. 18. Vad V, Mackenzie R, Root L. The role of back builders exercise program in low backpain. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, Vol.84, Num.9, p.19-20. 2003. 19. Lopes CR, Gonzaga F, Okamoto K, Mota GR, Viana HB, Tessutti LS. O método Pilates no tratamento da hérnia de disco. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.35, p.506-510. Set./Out. 2012 20. Rydeard R, Leger A, Smith D. Pilates-Based Therapeutic Exercise: Effect On Subjects With Nonspecific Chronic Low Back Pain and Functional Disability: A Randomized Controlled Trial.Orthop Sports Phys Ther, Vol.36, Num.7 .2006. 22. Camarão T. Pilates no Brasil: corpo e movimento. Rio de Janeiro: Elsevier,

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